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Métodos e normas de ensaio de solidez da cor à lavagem e

Ensaios mecânicos2026-10-23

A solidez da cor à lavagem é uma das propriedades mais avaliadas em ensaios têxteis, pois mede a resistência do tingimento ou estamparia à ação de detergentes, umidade e atrito mecânico simulados em laboratório. O presente artigo organiza o tema em módulos operacionais: princípio do mecanismo de sangramento e transferência de cor, normas de referência como a série ISO 105-C e a AATCC 61, preparação de amostras e tecidos adjacentes, execução do ensaio em equipamentos do tipo Launder-Ometer ou Gyrowash, avaliação dos resultados por escala cinza e, por fim, parâmetros co-ensaiáveis e critérios de aceitação usuais. Juntos, esses elementos permitem ao laboratório reproduzir condições de lavagem doméstica e comercial, quantificar a degradação tonal e a transferência para tecidos vizinhos e classificar o desempenho do artigo com base em classes numéricas comparáveis entre relatórios.

Princípio e mecanismo

O ensaio fundamenta-se na exposição controlada de uma amostra tingida a uma solução de sabão ou detergente, sob temperatura definida e agitação mecânica, por tempo padronizado. Nessas condições, os corantes pouco fixados às fibras tendem a migrar para o banho. A cor removida pode, ainda, redepositar-se sobre tecidos adjacentes de diferentes fibras colocados em contato com o corpo-de-prova, simulando a contaminação de peças lavadas em conjunto. Avaliam-se dois fenômenos distintos: a alteração de cor da própria amostra, comparada antes e depois do tratamento, e o tingimento dos tecidos adjacentes. Ambos são graduados por comparação visual com escalas de referência, convertendo uma observação subjetiva em classe numérica reprodutível, com valor entre 1 (pior) e 5 (melhor) na escala cinza.

Princípios

e normas aplicáveis (ISO 105-C, AATCC 61)
As duas famílias normativas mais empregadas são a ISO 105-C, base da maioria dos regulamentos europeus e de etiquetagem por composição de risco químico restrito, e a AATCC 61, difundida no mercado norte-americano. Dentro da série ISO 105-C, os procedimentos diferem-se por severidade: o C06 cobre lavagens de severidade variável, do teste frio às simulações de lavagem doméstica a temperaturas elevadas, enquanto o C05 corresponde ao ensaio comercial mais brando. A AATCC 61 define simulações de lavagem doméstica sem agitação contínua real, executadas em rotores de aço inoxidável fechados, com números de teste que indicam temperatura e formulação do banho. O método ISO 105-A02 define a escala cinza para avaliação de alteração de cor e o 105-A03 a escala para tingimento. A escolha do procedimento depende do mercado de destino e da especificação contratual.

Preparação de amostras têxteis

O corpo-de-prova típico consiste em um retângulo de tecido tingido com dimensão aproximada de 10 cm por 4 cm, costurado, grampeado ou mantido em contato com tecidos adjacentes de fibra múltipla. A composição da fibra vizinha varia conforme a norma: alguns procedimentos usam um único tecido de fibra mista, outros preveem seis tiras de fibras distintas, como algodão, lã, viscose, poliamida, poliéster e acrílico. Amostras de fio são tricotadas ou enroladas em suporte antes do ensaio; fibras dispersas são cardadas em forma de manta. Registre-se a massa do conjunto, pois a relação banho-material é fixada em proporção padronizada. Antes do tratamento, condicionam-se as amostras em atmosfera padrão de laboratório e verificam-se a limpeza dos recipientes e a validade dos reagentes, evitando contaminação cruzada entre ensaios.

Procedimento

de ensaio — lavagem em dispositivo Launder-Ometer / Gyrowash
Executa-se o ensaio em banho-maria termostatado equipado com rotores de frascos fechados, conhecidos genericamente como Laufer-Ometer ou Gyrowash. Cada frasco de aço inoxidável recebe o corpo-de-prova, esferas de aço para simular atrito mecânico, a solução de sabão ou detergente na concentração normativa e o volume de banho estabelecido. O rotor é fechado, fixado no suporte e mantido em rotação dentro do banho-maria na temperatura e pelo tempo definidos pelo procedimento escolhido. Ao término, retira-se o conjunto, lava-se com água corrente e depois em água destilada, espremendo-se sem torção. A secagem ocorre em ar à temperatura não superior a 60 °C, com amostra e adjacentes mantidos unidos. Registram-se temperatura, tempo, relação de banho e número de esferas, dados obrigatórios para rastreabilidade do relatório.

Avaliação

da degradação da cor — escala cinza e azul líquida
A avaliação é visual, realizada por avaliador treinado em cabine de luz padrão, com iluminação D65 e fundo neutro. A alteração de cor da amostra compara-se à escala cinza de alteração (ISO 105-A02), composta por pares de cartões cinza em degraus de contraste que correspondem às classes 1 a 5, com classes intermediárias. O tingimento dos tecidos adjacentes avalia-se pela escala cinza de tingimento (ISO 105-A03), de mesma lógica. Em alguns procedimentos norte-americanos utiliza-se, alternativamente, a escala de transferência colorida. A chamada "escala azul" aparece em contextos de degradação por luz e não substitui as escalas cinza na lavagem. Cada resultado registra-se separadamente, por exemplo alteração 4 e tingimento 3-4, pois os dois valores expressam fenômenos independentes e podem divergir no mesmo ensaio.

Parâmetros

co-ensaiáveis e critérios de aceitação
O ensaio de solidez à lavagem integra-se a programas mais amplos de avaliação de cor, frequentemente executados em conjunto com solidez ao atrito (ISO 105-X12), solidez à água, ao suor (ISO 105-E04) e à luz (ISO 105-B02), formando o conjunto usual de especificações de tingimento. Os critérios de aceitação não são universais: dependem da especificação do comprador, do tipo de artigo e do mercado de destino, sendo classes mínimas comuns as faixas 3 a 4 nas aplicações têxteis gerais e 4 ou superior em artigos de maior exigência. Resultados insatisfatórios indicam deficiência de fixação do corante, formulação de tingimento inadequada ou pós-tratamento insuficiente, orientando ajustes de processo. Recomenda-se registrar a temperatura efetiva do banho, a calibração do equipamento e a qualificação do avaliador como elementos de controle da reprodutibilidade dos resultados entre laboratórios.

FAQ

Qual

é o critério de julgamento da solidez da cor à lavagem e quais normas a definem?
Julga-se por classes de 1 a 5 atribuídas visualmente com as escalas cinza de alteração e de tingimento, conforme ISO 105-A02 e AATCC EP1, em cabine de luz padrão. Os limites mínimos aceitáveis não são fixados pelas normas de método, mas pela especificação do comprador ou do mercado de destino.

A que tipos de produtos e materiais o ensaio de solidez à lavagem se aplica?

Aplica-se a diversas classes de amostras têxteis: tecidos planos e de malha, fios tricotados ou enrolados e fibras em manta, tingidos ou estampados, das mais variadas composições. A preparação do corpo-de-prova e dos tecidos adjacentes é ajustada conforme a forma física do material e a norma selecionada.

O que constam no relatório do ensaio e como ele é utilizado?

O relatório identifica a amostra, a norma e o procedimento de severidade adotados, temperatura, tempo, relação de banho, reagentes, e as classes de alteração de cor e tingimento, com avaliador e data. Emprega-se em controle de qualidade de tingimento, verificação de especificações de compra e comprovação de desempenho frente a exigências contratuais.